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8.10.04 ... Comments: 11.8.04 24 horas de vida Eu costumo pensar que foram dez os dias consecutivos perfeitos que vivi. Isto não seria bem exato. Na verdade quando chamo a um dia de "perfeito" isto significa uma quase perfeição: houveram, mesmo nestes dias, alguns momentos não tão perfeitos assim: perdemos boa parte do tempo em coisinhas chatas, como termos que conversar com alguém quando estamos querendo apenas fechar os olhos e lembrar... Se eu morresse hoje e Deus me dissesse: "Tatiane, você tem sido uma menina boa, você será recompensada.", eu não pediria a minha presença eterna ao lado d`Ele, eu não queria uma nova vida, eu não queria nem mesmo a minha vida novamente: eu pediria nem meus dez dias felizes de volta, eu queria apenas algumas horas destes dias. Talvez eu ainda viva muito, e talvez eu tenha ainda muitos momentos bons, ou mesmo iguais, mas não precisaria deles. Se somarmos estas horas que digo, destes dez dias, talvez não completem 24 horas. Deus, eu não preciso de outra vida, eu quero apenas 24 horas, aquelas horas, somente elas. Não precisa que elas se repitam todos os dias em uma vida longa, não quero mais nada, quero que me coloque de volta à Terra, de volta à Alessandra, e não preciso de nenhum segundo a mais. Quem se dispusesse a assistir estas 24 horas talvez se entediasse na primeira: pouca coisa diferente aconteceria. Poucas foram as variações, e nosso repertório se compunha de três ou quatro cenas. Nosso prazer nunca precisou ser cinematográfico. Mas nunca deixou de ser intenso. Por mais difícil que seja que entendam, especialmente os homens, nos momentos em que quase não nos movimentávamos era quando mais acontecia algo. A paixão não é visível. Apenas um observador atento notaria; se fosse um filme seria necessário um close: o peito que arfa, numa perda momentânea de ar, um suspiro, uma lágrima incoerente que às vezes surgia, o líquido fino que nossos corpos não conseguiam cessar de produzir, uma fazenda de pele onde os cabelinhos se levantavam. Isto era apenas a ponta do iceberg. A descoberta do mínimo faria um belo filme, mas só a câmera do invisível poderia contar esta história. De qualquer maneira, penso que um curta metragem explícito não seria de todo ruim... (Tatiane Nascente) Comments: 10.8.04 estou em uma curta viagem, já volto... Comments: 6.8.04 (À meus dois leitores - um à pedido e o outro casual... -: prefiro manter uma nuvem sobre a "inspiração", por duas razões. A mais óbvia é manter uma "saída de emergência aberta", compreendem? A segunda é que não quero violar os mistérios da literatura. Tentarei levar esta história adiantequeria dar um nome à ela, mas talvez ele surja mais claro a mim apenas ao final. Pior que isto é não ter um nexo indubitável que me leve de um escrito a outro -não sou romancista!-, por isto sopro fragmentos...) Joana-boba Eu estabeleço um marco zero: começa no exato momento em que sua língua toca minha rachinha. Até então eu tive dúvidas e medos, deste segundo em diante não. E um ponto final: o exato instante em que descobri que o email que você tinha me anotado era inexistente, assim como seu telefone, e então percebi que você queria que nossa relação acabasse ali, na noite em que fui-me embora. Foram dez dias juntas, mas o primeiro, como eu disse, foi permeado de questionamentos, apesar da beleza da descoberta, e por isto o excluo. Não excluo o dia, ou melhor, as horas passadas desde o meu embarque até o recebimento do email, com uma mensagem em inglês, dizendo mais ou menos que "Este email não existe". Não excluo porque nestas horas eu ainda fui feliz. Só agora noto que estou escrevendo "você", "sua", como se me dirigisse a você! Não deixa de ser irônico, saber que eu poderia enviar este texto a qualquer pessoa, menos a você. Porque "este email não existe". Às vezes quase sinto raiva. Estou tentando negar: sinto, e muita. Tento te entender, busco as razões. Porém os motivos que encontro são meus, eu que os forjo, e nunca saberei quais foram mesmo os seus. Outras vezes ainda me invade uma esperança insana: e se tudo não foi um engano? Talvez erraste um número ao escrever o número de telefone que me deste. Talvez erraste uma letra no email. Caio na realidade: um erro seria possível, dois erros nem por milagre. Ou por milagre seria possível? E você até hoje não entenderia as razões de eu não ter te ligado ou te escrito, e esteve tão abalada quanto estive, e talvez neste momento escreva as memórias daquele dia? Estes momentos de tolice são fugazes, para logo em seguida serem substituídos pela cólera. Será que não imaginavas, ao tocar-me, as conseqüências que isto teria para mim? Será que pensavas que sumindo não deixaria marcas? Que suas pegadas não ficariam marcadas no meu solo? Porém logo em seguida te perdôo. Porque não consigo te imaginar má. Não comigo. Não houve um segundo no período da nossa convivência que eu sentisse em você qualquer atitude indigna. A umidade que brotava de seu corpo nunca te deixaria mentir sobre o seu envolvimento naquela situação. Oscilo, vacilo... Sou um joão-bobo balançando entre a dúvida, a esperança, a raiva, a ternura... (Tatiane Nascente) Comments: 5.8.04 (Fernando, adotei sua sugestão para o título; "Análise Conjunta", te enviei um email; Amandinha, obrigado pelo incentivo) "Os dias perfeitos" Tenho medo que este relato pareça um conto pornográfico. Nos filmes, nas novelas, as cenas "calientes" são cortadas, como se não existissem. Assim como as cenas extremamente banais: não se vê alguém espirrando, tossindo. De um modo mais lógico compreendemos a retirada destas últimas: não pertencem ao contexto, embora eu ainda pense que, se eu fosse a diretora da novela, incluiria sempre algumas cenas assim: alguém caminhando e tropeça, outro atende o telefone e seria apenas engano: tornaria as personagens mais humanas, mais possíveis. Também entendo que poderia ser perniciosa a presença de cenas sexuais à mente infantil - há uma certa idade onde isto poderia mais confundir que instruir. Mas se retiramos o sexo da televisão, porque não retirar a violência, que disseminam-nos desde pequenos como relativamente aceitável? (Enfim, o mundo só foi perfeito por alguns dias, até que Eva comeu a maçã e nada mais foi o Paraíso, e não sou eu quem cconsertará estas coisas...) Eu tive dias perfeitos. Nove dias. Ou dez, o primeiro dia após o afastamento ainda foi impecável. Talvez tenha chegado a hora de falar destes dias. Fiz todo este novelo anterior para justificar o quanto de relatos sexuais (eu preferiria o termo "eróticos") haverá na minha eloqüência. Não somos crianças, e isto não é um canal aberto de tevê - os pais têm como censurar o acesso à páginas "pornográficas". Falarei sem culpa, portanto. Quem desejar, prossiga. Ah, por favor, talvez as frases anteriores tenham dado a impressão que farei aqui um inventário sexual, com variações, posições, descrições ferventes. Perdão se deixei esta expectativa. O amor queima de uma maneira diferente. (Será que demoro tanto nestes parágrafos para fugir da tarefa de começar? Foram dias tão felizes! Talvez por isto: creio que lembrar-me deles assim, com detalhes, com intenção, pode fazer com que eu prove o amargo contraste do que foi, fui, com o que hoje sou. Não que eu seja triste. Apenas carrego, ao lado de todas as minhas alegrias, o irrecuperável.) Respiro fundo, falarei... Novamente inspiro... Sem condições: acho que hoje não será possível. Desculpem-me. Abrirei uma garrafa de vinho e empurrarei novamente o baú para baixo da cama. (Tatiane Nascente) Comments: 4.8.04 do fundo... do coração? não, do poço mesmo! Comments: 3.8.04 Don(a) Juan(a) Nos conhecemos no Rio de Janeiro. Fui passar quinze dias de férias, na casa de uma prima. Minha prima trabalhava, então somente à noite saíamos juntas. Durante o dia eu ia para a praia do Leblon, perto de sua casa. Tomava sol todas as tardes, e apesar de ser "branquinha", aos poucos consegui pegar alguma cor, um vermelho claro: até mesmo porque eu não agüentava muitos minutos exposta. Quase todos os dias alguém se aproximava de mim, os homens cariocas são atirados - ao menos os freqüentadores da praia. Não, justiça seja feita: nos bares, boates, também. Alguma aproximação sempre acontecia. Eu estava sem namorado há alguns poucos meses, e aquilo fazia um bem enorme à minha estima. O ambiente era de férias mesmo: estávamos em julho. Isto faz um ano. Uma segunda-feira amanheceu quente, mas nublada. Dormi até mais tarde, comi algo, comprei uma revista, fui para a praia. Não havia luz suficiente para o bronzeado, achei até bom, fui para a barraca que eu mais gostava. Sentei-me a uma sombra, bebendo um guaraná. A praia estava mais vazia este dia. Notei uma garota me observando. Não entendi a razão. Comecei a ler. Logo fui-me embora, resolvi dormir mais um pouco. Terça-feira o movimento voltara. Porém a primeira pessoa que vi, ou que notei, melhor dizendo, passando pela "minha" barraca, foi a garota que me olhava na tarde anterior. Pareceu-me que sorriu-me ao me ver, retribui com um sorriso duvidoso. Sentei-me de costas a ela. Minha intuição me disse, a um instante, que ela estaria me olhando. Não sei até que ponto a intuição não é uma fantasia disfarçada. Neste instante achei ter compreendido o que eu não queria, ou não pudera, ver ainda: ela me desejava. Ou pior... Virei-me, ela sorriu, não tive como disfarçar nem tempo de voltar-me: ela levantou-se e veio em minha direção. Tinha um corpo invejável, pelos dourados, cabelo castanho claro. Conversou comigo por quase uma hora, o tipo de assunto que gostaríamos de ver nas bocas masculinas: inteligente, sagaz ou, como se dizia lá, "antenada". Conduziu-me de tal maneira que fez-me esquecer que desejava mesmo era seduzir-me. Totalmente canalha. Mas totalmente apaixonável. Só me recordei das suas intenções quando pousou sua mão sobre a minha, e eu nunca havia cogitado ter algo com uma mulher. Simplesmente nunca me interessei, e esta era a primeira vez que eu me via nesta situação, e me agradava. Eu poderia procurar desculpas como uma crise da idade, ou curiosidade, e tudo isto existia, porém não era apenas isto. Havia também ela, concreta, ao meu lado, Alessandra, mulher inacreditável; e sua mão pousou sobre a minha: fiz um pequeno movimento de retirar mas parei. Eu estava em uma cidade onde, além da minha prima e dos meus tios, mais ninguém me conhecia, não teria que dar explicações a ninguém. Ela queria. Eu queria. Por que não? Sempre fui meio desvairada mesmo... Deixei minha mão. Alessandra me chamou para o mar. Lembro-me com detalhes daquele dia: a temperatura, o cheiro do mar, a tonalidade da água, o sacolejar das ondas. Nadamos até o mais longe que pudemos. À nossa direita, a uns 100 metros, um grupo tentava surfar. Alessandra segurou minhas duas mãos. Fechei os olhos. Senti sua boca tocar a minha. Senti um prazer que não era físico. Talvez eu estivesse me apaixonando. Não apenas nela, mas em todo o conjunto: aquela praia, aquele ambiente, aquela liberdade, aquela mulher. Ficamos alguns minutos na água, abraçadas, e nos beijando. Sempre enxerguei o amor independentemente do casal ser gay ou não. O que acho feio é a infelicidade, seja homo ou heterosexual. Só não pensava que seria algum dia flechada por um "bicho fêmea". Quando Alessandra tocou meus seios, túrgidos, recuei. Para um dia só, seria muito. Sentia que já havia sido "travessa" demais, fazendo algo que eu não recriminaria, mas que por outros seria condenada. E não era só isto: mesmo se fosse um homem comigo, mesmo que houvesse sido tão interessante o contato inicial, é provável que no primeiro encontro não acontecesse algo além do que houve aquele dia. Digo "é provável" porque já me entreguei, sim, algumas vezes no dia em que conheci certos rapazes. E foi bom, mas com certa intimidade é melhor ainda... Ela entendeu, só pediu-me que, fosse qual fosse minha reação a tudo isto, que voltasse amanhã, mesmo que fosse para dar "adeus". Ela não queria alimentar esperanças vazias. Combinamos que se eu não aparecesse, é porque havia resolvido mesmo fugir (mas àquela hora eu não pensava mesmo nesta hipótese!). Apareci antes do combinado, na tarde seguinte, com medo de atrasar-me e ela pensar que eu não quisesse mais. A noite havia sido ótima, na casa dos meus tios: eu estava expansiva, e perguntaram-me se eu arrumei um namoradinho. Fui honesta: "Mais ou menos..." Quando cheguei Alessandra também já estava lá. Veio correndo em minha direção, pulou sobre mim, me abraçando, quase caímos. Beijou-me ali mesmo, e isto me constrangeu só um pouquinho, e me puxou pela mão. Disse que queria me levar "em um lugar". Fomos à sua casa, ela era veterinária, e queria me mostrar seus "filhinhos". Eu sabia que haviam segundas intenções naquele convite, mas eu também já as tinha. Poucas horas depois já estávamos um pouco embriagadas, e estávamos deitadas abraçadas no sofá. Eu abri o caminho que ontem eu havia interrompido, e que ela depois educadamente não ousara novamente insistir, tocando-lhe o seio, por cima da blusa curta. Meu coração estava disparado, ela me beijou e também apertou o meu, neste momento quase desfaleci. Indescritível - palavras não existem que transmitam a sensação, ao menos não as conheço. Eu poderia usar "êxtase". E seria real. Mas seria só uma palavra. Não quero falar com detalhes agora sobre o que aconteceu deste momento até o meu último dia no Rio. Sintetizarei em uma palavra: perfeito! Eu adiei meu retorno por mais uma semana, e foram os dias mais apaixonados de minha curta vida. Qualquer dia talvez eu escreva sobre estes momentos, sei que seria um deleite reviver tudo que passamos. Na sexta seguinte foi nossa despedida. Eu tomaria o avião à noite. Éramos "namoradas" agora, combinamos que em duas semanas ela viria me visitar. No sábado telefonei para ela: quem atendeu foi outra pessoa, e disse não conhecer nenhuma Alessandra. O número no papel havia sido anotado pela Alessandra mesmo, não entendi. Liguei novamente, eu deveria ter ligado errado, novamente o home que atendeu me disse não haver nenhuma Alessandra. Nada entendi, e a aflição tomou conta de mim. Corri ao computador, enviei-lhe um email, começando a chorar e rezando para que não ocorresse o que eu temia, e aconteceu: o email retornou com o aviso: endereço inexistente. Eu poderia retornar ao Rio, eu poderia até encontrá-la na mesma praia ou, se não, em sua casa, eu saberia voltar ao local. Mas Alessandra devia ter suas razões. Preferi mantê-las insondáveis. Quando a noite está mais escura eu pergunto-me até se Alessandra seria mesmo o seu nome... (Tatiane Nascente) Comments: Se aqui o mundo todo pode me ver, Papi, depois não venha dizer que eu não lhe contei: sou como você Também gosto de mulheres. (Não só de mulheres). Comments: 1.8.04 Mais que eu seja inconformada, rebelde, valente Chego em casa às 5 da manhã E minha mãe dorme não sem antes deixar minha cama arrumada, pronta, seu colo me esperando. Senhor juiz, todo matricídio é injustificável? Comments: 31.7.04 Às vezes me sinto o próprio elefante na loja de cristais. Isto pode me matar: a culpa. Perdoa-me, amor, amores, pelas dores que te trago, mas não sei se posso ser melhor que isto. Tento saber se no fundo não desejo que seja mesmo assim, busco uma resposta: será que não sou verdadeiramente má? Não há um canto meu que se regozija ao ver o sofrimento que te causo? Atormentam-me, então, tanto a dor de te ver assim quanto esta procura insana de meus erros. Mas estes não consigo encontrar. Se um elefante entrasse em uma loja de cristais, cometeria um crime inafiançável. Sou bruta e estúpida porque me quero assim, isto atesto.Sei que poderia esmagar campos de flores. Não ando por jardins. Porém você, amor, amores, vocês são estas lojinhas, mas são mais. Sua fraqueza me comove, mas é sua braveza que me atrai. Vejo você como esta mescla de cores, desde o princípio. E se o roxo me atrai eu não posso evitar me aproximar, mesmo sabendo que com minhas pegadas macularei teu amarelo claro. Se eu tenho fome de roxo, não consigo matar-me de fome. Esta é minha fraqueza. Meu amarelo claro. Meu ponto fraco é minha força (eu quero dizer duas coisas com isto). Amor, você tem pena da minha força como eu tenho da sua fraqueza? Comments: |
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